Todo mundo sabe que os dias do Atum e do Salmão estão contados.  (todo mundo sabe??)  Mesmo assim continuamos a escolher esses peixes quando vamos aos restaurantes, talvez impulsionados por uma histeria coletiva do tipo: vai acabar mesmo, melhor eu comer agora enquanto tem, como sugeriu outro dia um conhecido meu. Ou talvez ninguém se importe realmente.

Aqui no Chou escolhi não servir peixes em risco iminente de extinção, e de um modo geral, minha escolha sempre foi a de privilegiar peixes que talvez não tenham tanto apelo comercial mas que por isso mesmo são bastante mais acessíveis, nem sempre charmosos como um esnobe robalo, mas simpáticos e deliciosos como o olhete, suculentos como a anchova, perfumados a mar e com personalidade, como a tainha. São peixe incríveis, se comportam incrivelmente bem na grelha e deixam qualquer comensal muito feliz.

Meu dedicado peixeiro Wayner me mandou uns bonitos carapaus semana passada, nem muito grandes, nem tão pequenos quanto as cavalinhas. Eles tinham o tamanho perfeito para irem inteiros `a brasa, e assim foram: sua pele brilhante e vermelha perfumada com coentro, pimenta vermelha, gengibre e limão cravo.  Ficou tão bom que pedi para ele me mandar mais essa semana, enquanto durar a estação. Então é isso: carapau fresquíssimo, assado inteiro na grelha, a pele fica crocante do fogo, o peixe solta seus sucos que se misturam com o limão, com o azeite de gergelim. Quem precisa de atum?

Postado em: 27 julho 2011

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Gabriela Barreto Space Bar